The Magic World: O Imaginário do Pai Natal

santa-mirror-620O PAI NATAL é uma figura incontornável que perdura desde os primórdios da humanidade. A sua existência é, muitas das vezes, colocada em causa pelo seu lado ficcional e idílico que foi concebido, grosso modo, durante este milénio. Mas será que, enquanto objecto representativo de uma ficção que supera a realidade, o Pai Natal existe? Fique desse lado e descubra a resposta!

A Lenda de São Nicolau

O aparecimento do “Pai Natal” remonta a 280 d.C., na Turquia, quando um bispo chamado Nicolau decidiu começar a ajudar os mais desfavorecidos com actos de carinho. Acredita-se que fazia milagres e que deixava sacos com moedas junto às chaminés das casas. A sua bondade era de tal tamanho que a Igreja Católica o beatificou Santo, passando a designar-se São Nicolau.

A sua fama espalhou-se por toda a Europa e mesmo com a aparecimento da Reforma Protestante, St. Nicholas manteve a idolatração das pessoas e uma reputação positiva que transcende todos os outros Santos.

O fenómeno St. Nicholas chega aos EUA

No final do século XVIII, São Nicolau faz as suas primeiras incursões na cultura popular dos Estados Unidos. Foi aqui que esta personagem lendária do folclore popular Europeu se consolidou e ampliou, ficando internacionalmente conhecido pela magia da entrega de presentes às crianças durante a noite de Natal.

Relativamente à iconografia, o Pai Natal – designação pela qual ficou conhecido – apresenta-se como uma personagem com uma grande barba branca, barrete de pele e vestido de vermelho. Não é inocentemente que o Pai Natal está conotado com a figura de um velho. As suas características remetem para a sabedoria, a experiência e o abandono progressivo dos bens materiais, revelando uma analogia à figura de Deus. Na civilização judaico-cristã dar é, do ponto de vista filosófico, receber.

Etimologia da Palavra

Para uma melhor compreensão deste fenómeno, é fundamental compreender a origem das palavras Pai e Natal:

“pai”, (latim pater, -tris, pai, avô)

  • manifesta sentimentos paternais (protecção, dedicação e afectos).
  • o iniciador.
  • o Criador (Deus).

“natal”, (latim natalis, -e, do nascimento)

  • Relativo ao nascimento.
  • Renovação.
  • Celebração.
  • Festa da natividade de Cristo (celebrada a 25 de Dezembro).

De facto, o significado de Pai Natal representa a figura de alguém associada às ideias de Paz, Felicidade, Paternidade, Sabedoria, Conforto, Bondade, Generosidade, Segurança, Magia, Divina Providência, Esperança, Moral (de acordo com o imaginário popular – presentes só para os meninos bem comportados), numa perspectiva de religiosidade.

O Poder da Imagem

Numa perspectiva racional, a sociedade de consumo soube potenciar ao máximo e com enorme talento a figura do Pai Natal para legitimar uma sociedade em que impera o ter em detrimento do ser, ou seja, um apelo permanente a um consumo desenfreado e a uma sociedade enraizada num materialismo, por vezes, doentio.

Como qualquer signo, qualquer imagem é passível de ser analisada do ponto de vista denotativo mas também do ponto do vista conotativo, isto é, os múltiplos significados que se constituem a partir de uma dimensão emocional e simbólica dessa imagem.

Dando expressão a este meu raciocínio, o Pai Natal pode ser interpretado como uma espécie de Super Homem “avant la letre“, ou seja, muito antes das personagens icónicas e carismáticas da Banda Desenhada do mundo ocidental.

O Pai Natal veio colmatar e legitimar o consumo do ponto de vista da moral. As pessoas não se sentem mal em comprar presentes, sejam eles materiais ou espirituais. A sociedade consumista desviou-nos da parte espiritual, ficando a necessidade de preencher um vazio com a materialidade.

O aproveitamento da imagem do Pai Natal na área da Comunicação é uma estratégia inteligente de legitimar a sociedade de consumo que se esconde através de uma moral com fundo cristão. No fundo, andamos todos à procura de Deus. Todos nós somos órfãos de “Deus” através da imagem do Pai Natal.

As pessoas hoje em dia não compram marcas, compram ideias que estão associadas às marcas. O storytelling assume cada vez mais uma posição de preponderância.

A Coca-cola é o exemplo paradigmático que soube, de uma forma genial, associar-se à figura do Pai Natal, acrescentando uma dimensão afectiva que vai de encontro ao subconsciente do colectivo (consumidores).

Quando bebemos uma Coca-Cola, para além do paladar, estamos quase que, inconscientemente, a procurar a figura de “Deus” que nos conduz ao mistério da felicidade. Porque o poder da imagem nos remete para um meio caminho entre a realidade e o simbolismo do Natal e a felicidade da Coca-Cola.

Não é por acaso que a expressão «Ainda acreditas no Pai Natal, não?» traduz a ideia de que o Pai Natal não existe, mas que no imaginário colectivo persiste.

Eu “acredito” no Pai Natal porque esta personagem faz sonhar a humanidade.

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