Comunicar é…

A televisão, o silêncio, os nossos gestos, a divulgação de informação, falarmos uns com os outros…Comunicar é tudo isto e mais este blog. Quando se fala em comunicação, fala-se de uma necessidade básica à qual aliamos o necessário ao bom. Quem é que não vê na comunicação uma boa terapia para curar a tristeza e potenciar a alegria?

Resultado de imagem para conversations

A verdade é que a comunicação, enquanto processo reversível generalizado, é fundamental para a vida da nossa cultura. No seu sentido lato, comunicar adquire um duplo sentido: transmitir informação de A para B e interagir (ideia de um relacionar-se com vários). Todo este fenómeno diverso e multifacetado envolve signos e códigos que são constantemente codificados e descodificados pelos intervenientes no processo.

A comunicação é muito mais do que o seu conteúdo originário, é a diversidade de contextos que despoletam comportamentos distintos em situações diferentes. Comunicar não é só um ato verbal consciente, voluntário e intencional, mas também é a postura, a gestualidade, o olhar, as inflexões de voz, etc. O dito nunca bem sozinho, vem sempre acompanhado da forma como é dito. Se não conseguimos não ter comportamento, também não conseguimos não comunicar.

Tudo se complexifica quando, ao comunicar, se fala de como comunicar e da estrutura que suporta essa comunicação: a Metacomunicação. Em certas circunstâncias, emissor e destinatário discutem efetivamente o código e, mesmo quando não o discutem, sabem que o podem fazer, sempre que o pretendam.

Para Gregory Bateson, antropólogo considerado o pai da escola de Palo Alto e autor da obra Metadiálogos, a comunicação é um todo integrado, onde a componente verbal e não verbal se fundem concebendo mensagens verdadeiramente interligadas alicerçadas na ordem da interação.

Contudo, uma conversa pode não ser tão previsível como esperamos que seja. Remontando à obra de Bateson, o primeiro Metadiálogo entre Pai e Filha revela que nem toda a informação é passível de se predizer, ou seja, quanto maior imprevisibilidade, maior incerteza em adivinhar o desfecho da informação – “PAI: (…) a respeito de as coisas nunca acontecerem ao contrário. (…) há uma razão para que as coisas aconteçam de determinada maneira se pudermos mostrar que há mais possibilidades de acontecerem dessa maneira do que de maneira diferente“. Por exemplo, só há uma maneira de escrever Donald, mas há “(…) muitas maneiras de misturar seis letras em cima da mesa.” (Bateson, 1989, p. 15). Portanto, pode-se afirmar que as conversas têm contornos, e que “Nunca se pode ver o contorno enquanto se está no meio da conversa.” (Bateson, 1989, p. 55), pois seria previsível.

Resultado de imagem para communication process

A entropia pode também verificar-se no facto de, através do sistema de linguagem culturalmente aceite, uma palavra ter vários significados – “PAI: (…) Tenho a certeza de que eu e ela não queremos significar a mesma coisa quando dizemos «arrumar». FILHA: Pai, nós os dois queremos significar a mesma coisa quando dizemos «arrumado»? PAI: Duvido (…)” (Bateson, 1989, p. 10).

Como referi, a comunicação vai muito além do diálogo falado. É também todos os comportamentos humanos que nela concorrem nas demais variadíssimas situações. “PAI: (…) a ideia de que a linguagem é composta por palavras é um disparate (…)” (Bateson, 1989, p. 25). E tem razão, a linguagem é primeiro um sistema de gestos. Os franceses ao mexerem muitos os braços trocam informação, assim palavras com gestos, ou tom de voz, são frequentes. Numa própria situação de comunicação, a análise do contexto da mesma cabe à componente não-verbal.

De facto, é importante ter em conta, para além da mensagem, o seu destinador. As conversas são criadas por pessoas que depositam parte de si nos diálogos que podem levar ao consenso ou ao conflito. “Parece que uma conversa é um «jogo» se uma pessoa toma parte nela com um dado conjunto de emoções ou ideias (…)” (Bateson, 1989, p. 31).

A riqueza da comunicação reside no inesperado e no que, à partida, é difícil de explicar – “FILHA: (…) se nós falássemos sempre logicamente e nunca ficássemos confusos, nunca poderíamos dizer nada novo. Só poderíamos dizer «frases feitas».” (Bateson, 1989 p. 31). A comunicação é formulada pela experiência subjetiva para mostrar as coisas de uma forma consciente e objetiva, através do intelecto e da linguagem. As relações comunicacionais têm a ver com quadros de referência que lhes conferem sentido e que são definidos a partir da experiência particular e singular dos intervenientes. O objetivo é o entendimento e compreensão mútua entre quem dialoga.

Comunicar é transmitir e receber conhecimento. É aprender, construir, estar e ser o ser. Um ser autêntico. E tudo é Comunicação…

BATESON, G., 1989. Metadiálogos. 2ª ed. Lisboa: Gradiva
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s