Os Polegares da Era Digital

A Internet veio revolucionar a forma como aprendemos e percecionamos o mundo. As formas de convivência alteram-se significativamente e o aparecimento dos tablets e smartphones facilitou o acesso à “janela para mundo”. Esta geração jamais será igual às outras.

A “Polegarzinha“, do filósofo Michel Serres, integra uma sociedade dinâmica, repleta de novos costumes onde o processo de aprendizagem assume novos padrões. Os jovens, longe da vida no campo, são hoje cosmopolitas influenciados pelos media e formatados pela publicidade. Têm novos comportamentos e não têm mais a mesma cabeça nem a mesma capacidade cognitiva com que tinham com os cadernos e livros. “Com o seu telemóvel conseguem ter acesso a toda a gente; com o GPS, a todos os lugares; com a Internet, a todo o conhecimento.” (Serres, 2015, p. 6) Eles comunicam de maneira diferente, escrevem e expressam-se rapidamente através de um simples contato frenético do polegar com um ecrã touch, com recurso a uma linguagem nova, que acompanha os seus estilos de vida.

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Cada vez mais individualistas, os jovens têm acesso ao conhecimento a qualquer hora e em qualquer lugar. Primordialmente, o conhecimento era objetivado em manuscritos ou pergaminhos, hoje, na web, é suportado pela informação e mensagens de e-mail. Mais importante, é a distribuição desse conhecimento. Os típicos centros de concentração do conhecimento, como a sala de aula, a biblioteca ou o laboratório diluem as suas fronteiras e são distribuídos para todos os lugares, incluindo a nossa própria casa. Neste quadro de mudança, segundo o autor, a pedagogia e o ensino devem adaptar-se ao avanço das novas tecnologias. Uma adaptação urgente para todas as instituições que se inserem numa sociedade global.

O “cérebro” da Polegarzinha e dos seus conterrâneos é uma cabeça cheia devido ao enorme stock de informação que armazena, mas com ajuda. Temos à nossa disposição um computador com uma memória poderosíssima e com programas de software que resolvem problemas que nunca poderíamos resolver sozinhos. A nossa inteligência é transferida do cérebro para a máquina, restando uma intuição inovadora e duradoura do modo de como a utilizamos. O ganho de conhecimento é agora mais fácil. Já vem “objetivo, recolhido, coletivo, conectado, acessível, revisto e editado“. Pode-se saber qualquer coisa via web, os rastilhos da História na Wikipedia e as respostas a questões e assuntos nos motores de busca. A página domina e guia, o ecrã reproduz essa página. O conhecimento abunda virtualmente, mas está nos nossos bolsos, a partir de qualquer smart phone. Existe como que uma liberação do conhecimento e uma libertação de vozes antes silenciosas e imóveis. Podemos expressar-nos livremente num espaço homogéneo de intensa partilha. Assim, alunos de uma sala de aula, antes passageiros passivos e submissos, são agora pilotos atentos que conduzem a viagem do seu saber.

Esta democratização do conhecimento levantou, pela primeira vez na História, a voz de quase toda a gente. O discurso humano vibra num novo espaço com um tempo ilimitado, potenciado pelas virtualidades dos blogs e das redes sociais, que são incalculáveis. Os “filhos da escrita”, como denomina o autor, agitam as esferas privada, pública, permanente, real ou virtual com recurso a aparelhos eletrónicos que espelham uma verdadeira sociedade do espetáculo. Toda a gente tem uma voz e quer expressá-la. Opiniões sobre o trabalho, saúde, viagens ou política são formuladas nessas inúmeras redes, comentadas e debatidas em praça pública.

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Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, a geração da Polegarzinha vive agarrada aos ecrãs, pensa com a ajuda da internet e está permanentemente preocupada com a bateria do telemóvel. Um profissional de Relações Públicas deve ter em conta estes novos cidadãos pois são eles os futuros consumidores e clientes. É necessário atender às suas necessidades, antecipar tendências e monitorizar os temas de que gostam e de que falam numa multiplicidade de canais onde a comunicação se faz ininterruptamente.

O reconhecimento e a confiança deverão ser as palavras-chave para a construção de relações mutuamente benéficas com estes novos públicos, preservando memórias e prevendo o futuro. É o emergir de uma capacidade de “estar com”, de partilhar, de acompanhar reciprocamente, e não apenas de uma mera obtenção de feedback.

Por vezes, esse acompanhamento torna-se complicado, tal como todos os jovens, a “pequena polegar” desinteressa-se facilmente dos assuntos e passa rapidamente para outro lugar, deixando-nos para trás. É preciso alimentar estas relações, encontrar uma boa história e desafiar a própria revolução digital. As possibilidades são imensas.

Eles são o futuro. Conseguimos acompanhá-los?

Estamos nos anos iniciais de um tempo que chamo de década digital – uma era em que computadores deixarão de ser meramente úteis para se tornar uma parte significativa e indispensável da nossa vida diária.

– Bill Gates

SERRES, M., 2015. THUMBELINA: The Culture and Technology of Millennials. 1ª ED. Londres: Rowman & Littlefield
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